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Crónicas Os Meus Livros – O Eugénio dos Livros

Ele’génio

Sinais de alerta. O sangue tornou-se-lhe espesso como areia quente e a vontade revelou-se como uma manhã – sim… tinha acabado de ler Truman Capote quando, em plenas Correntes d’Escritas, Eugénio sentiu a compulsão da escrita.
No fundo a escrita sempre estivera no espaço intermédio entre os olhos que leem e o cérebro que entende, como um filtro que gosta de transformar os textos visionados em novas ideias digeridas e amalgamadas que, separadamente, Eugénio considerava «escrita cerebral» ou «manifestação de criatividade». Felizmente, e até então, sempre a compulsão tinha estado controlada pela dose adicional de preguiça com que fora dotado à nascença; mas naquela hora, sentado na desconhecida cadeira no auditório da Póvoa de Varzim a ouvir a magia da escrita a transformar-se em som, Eugénio cedera à tentação: decidira tornar-se escritor. Mesmo antes de escrever, claro está.
Era letrado – lera imenso, o que aos olhos de editores como Maria do Rosário Pedreira seria a certeza de poder ser um escritor −, tinha coisas para dizer («muitas» sentia ser exagerado dizer), tinha imaginação, paciência e perseverança. Pelo menos assim o achava e quando ouviu falar da página em branco, já se imaginava de crise em crise/ de dor em dor/ no vívido estado de alma/ que era o do escritor. Eugénio sentia que a escrita passava a ser a sua grande pulsão, a sua forma de ser (e aparecer). Sonhava um dia estar sentado naquelas cadeiras, em cima de um palco com centenas de professoras atentas ao mínimo suspiro literário.
Oh, como seria bom agradecer à organização, dizer que não preparara nada para, logo de seguida, começar a falar de improviso sobre a escrita, esse amigo dos tempos noturnos.

Chamem-me Eugénio. E fala-me ó Musa, desde homem astuto, que num lugar de Lisboa, de cujo nome não me quero recordar, pela palavra criou a luz…

A.V.
Antes de AV não existia Eugénio. Por isso, AV criou Eugénio e todas as coisas que o envolvem. O céu, os livros, a mãe e as árvores, os amigos estranhos e restantes animais do blog. Por isso, mensalmente existirá Eugénio no blog da Os Meus Livros. E tudo isso por obra de AV.

1 comment

1 Luísa M. { 03.01.12 at 10:38 am }

E não há tantos assim?!

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