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Konsoante vendida a Horácio Piriquito

Mário Moura vendeu a sua distribuidora, Konsoante, à Deplano, empresa de Horácio Piriquito que edita os livros das chancelas Booknomics e DePlanoBooks.

E é o próprio que nos explica os objectivos do negócio e a sua opinião sobre esta vertente do mundo dos livros, a distribuição.

Piriquito

Qual o objectivo da Deplano ao adquirir a Konsoante?
 
A Deplano sempre afirmou que quer crescer no sector editorial e livreiro. Mas devagar e sempre a acompanhar, com racionalidade e bom senso, a evolução rapida e turbulenta a que estamos a assistir.
Não temos nenhuma ambição de liderança e não estamos em nenhuma “correria” desenfreada e ansiosa. Preferimos focar-nos na diferenciação,na alternativa e no posicionamento. Queremos mesmo ser um “pequeno player”!
Estamos muito focados em não cometer os erros de crescimento e concentração a que estamos a assistir à nossa volta, todos os dias. Pensávamos que o exemplo da década.de 90, e o que ela significou para a gestão das empresas, pudesse servir hoje para as coisas serem diferentes. Para nós ainda bem! Para o sector, é mau.
Temos também outras áreas onde estamos focados e queremos crescer com focagem e especialização. Como, por exemplo, nos Media especializados, na Comunicação e Consultoria Empresarial, na vertente tecnológica dos conteudos e também na Internacionalização. Já estamos em São Paulo, no Brasil, vamos entrar em Cabo Verde, e estamos neste momento no local a estudar Angola e Moçambique.
 
Quantas editoras distribuem e quais?
 
Temos em curso a operação logística de saida a Pergaminho, que foi adquirida pela Bertrand, que vai demorar mais uma ou duas semanas. Mas nós também não fizemos nenhum esforço para manter a Pergaminho. Sabiamos que queriam sair, mesmo antes da nossa aquisição, e apenas abrimos a porta, sem mais perguntas. O contencioso que existia entre a Konsoante e a Bertrand está a ser resolvido. A Bertrand já sabe que a nossa disponibilidade é total.
Entretanto, a nova Administração já contratualizou um conjunto de novas editoras que permitem desde já aumentar a facturação da Konsoante em relação ao que significava apenas a Pergaminho.
Temos contratos assinados com a Sextante, a Zéfiro, a BookSmile, a Vogais & Companhia, a EuroBest, a Estrofes & Versos, mais as nossas marcas Bnomics e Deplano Books e estamos na fase final de negociação com mais quatro editoras, portuguesas e brasileiras. Mas não queremos muitas mais. Queremos apostar num serviço de qualidade e apostar nos canais alternativos e na diferenciação. Estas são as duas palavras fundamentais da nossa Missão.
 
Quais são os principais problemas que identifica neste sector, relativamente à distribuição?
 
As empresas de distribuição estão muito pesadas na esfera estrutural, são pouco flexíveis e estão distraidas com a inovação. Têm passados pesados para resolver, têm custos elevadissimos, estão esmagadas pelas margens e, principalmente, estão a conviver muito mal com a concentração.
Penso que estão excessiva e perigosamente focadas nos canais tradicionais, onde se verifica a maior densidade de concentração com efeitos imediatos.
Faz-me lembrar as pessoas que vão para praias muito pequenas e depois queixam-se que estão sempre cheias! Temos de procurar Oceanos Azuis. As distribuidoras definham em Oceanos Vermelhos!
Temos que perceber que dentro de 4 ou 5 anos os canais tradicionais perderam margens brutais de negócio. As pessoas dentro de alguns anos vão comprar livros em muitos locais … menos nas livrarias. E a culpa é das próprias livrarias.
Nós chegámos há dois anos à edição e apenas agora à distribuição e queremos estar no sector com profissionalismo, inovação e diferenciação. O resto a Deus pertence!

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