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Gonçalo Bulhosa regressa à Oficina do Livro

O editor Gonçalo Bulhosa, que foi responsável pelo lançamento de Margarida Rebelo Pinto e do primeiro romance de Miguel Sousa Tavares, regressa à editora que co-fundou, a Oficina do Livro. Começa a trabalhar no Grupo Leya segunda-feira onde substituirá o editor Marcelo Teixeira, que abandonou o grupo.
Gonçalo Bulhosa, que foi em 1999 um dos fundadores da editora Oficina do Livro, agora integrada no Grupo LeYa, assume a partir de segunda-feira funções como editor daquela chancela livreira, divulgou nesta quinta-feira a agência Lusa.
Fonte da administração da Leya confirmou à Lusa que o editor que, através da Oficina do Livro, “lançou vários autores e títulos que marcaram o panorama editorial nacional”, irá agora ocupar o cargo que até esta semana era ocupado por Marcelo Teixeira, que deixou o grupo. Notícia no Público.

February 3, 2012   No Comments

Crónicas Os Meus Livros – O Eugénio dos Livros

O Clube dos Livreiros Mortos

Numa altura em que se celebra a vida de Fernando Assis Pacheco − que Eugénio, quando ainda era miúdo, chegou a ver um dia a conversar na rua, mas que hoje a sua mente só o recria morto à porta da Buchholz, com livros a rolar pelo chão como maçãs verdes – lamenta-se igualmente a morte de Portugal, ou melhor, da Portugal, da Livraria Portugal.
Morre a Portugal como morrem ou morreram outras livrarias como a Sá da Costa, itinerário do imaginário eugeniano, da sua ronda de montras e acenos inefáveis – qual aperto maçónico de mãos −, com a madeira das portas a gemer e um pequeno tilintar a sinalizar a chegada de alguém.
Eugénio sente hoje saudades deste clube dos ácaros, saudades daquele cheiro que mapeava o território da impossibilidade. Da impossibilidade de correr, de fazer perguntas básicas, de subir às mesas para gritar Whitman, ou de chegar a muitos dos livros, sempre altos e vigilados por zelosas livreiras, como as da Buchholz. Saudades das salas abertas que se diziam privadas, onde só alguns clientes costumavam entrar e que a mente de Eugénio transformava em gruta de tesouros.
Num tempo em que ser leitor era pertencer a um clube. Era conversar ao balcão como que ao café, sob o candeeiro de mesa amarelado. Era o poder olhar com desconfiança sempre que alguém entrava, com ar de estar perdido e de ter entrado no lugar errado.
− O senhor precisa de ajuda?
− É uma livraria, não é?
Ah!, uma livraria. Não um desses lugares novos e iluminados, com miúdos fardados e um conhecimento de dedos teclando; um lugar de bilhetes, jogos de computador, telemóveis e plasmas colocados à frente, e ao fundo um corredor que dá para as traseiras, para a «secção dos livros».
Hoje, que Eugénio é já crescido, não pode mais frequentar esse clube, já só composto por livrarias mortas. E Eugénio sente-se só, com saudades, vendo-se reduzir o universo real do povo que vive no imaginário.

A.V.
Antes de AV não existia Eugénio. Por isso, AV criou Eugénio e todas as coisas que o envolvem. O céu, os livros, a mãe e as árvores, os amigos estranhos e restantes animais do blog. Por isso, mensalmente existirá Eugénio no blog da Os Meus Livros. E tudo isso por obra de AV.

February 2, 2012   No Comments

Palavras Cruzadas com Literatura, dia 4, em Leiria

Dia 4, pelas 18h30m, na Livraria Arquivo, em Leiria, é apresentado o livro Palavras Cruzadas com Literatura (Quetzal), de Paulo Freixinho. A apresentação será feita por José Fanha, com a colaboração de alunos do 11º ano da professora Helena Frontini
(Colégio Dinis de Melo). Segue-se um jantar informal, de confraternização, no bar Alinhavar (no Largo de Infantaria, em Leiria), da responsabilidade de Lídia Villalobos.

February 2, 2012   1 Comment

Quinto dia do Rota das Letras – Festival Literário de Macau

O quinto dia do festival literário trouxe o conceito de geografia para cima da mesa. Quão importante é o lugar onde se está e qual a sua relação com a escrita?
O autor português Rui Cardoso Martins ampliou imediatamente o conceito. “Geografia não é apenas uma questão de espaço, mas também algo psicológico,” disse. “Se eu morasse aqui durante vários anos, a minha escrita seria diferente, pois os lugares entranham-se no coração e na mente. Eu preciso encontrar a minha geografia interna,”acrescentou.
Para Tatiana Salem Levy, o escritor é sempre um “estrangeiro na sua própria casa” e salientou a importância de viajar para o seu processo de escrita. “Eu gosto da estranheza de novos lugares”, acrescentou a escritora brasileira.
Mas este é um sentimento que nem todos os escritores compartilham. O escritor e jornalista português Paulo Aido revelou que quanto mais conhece os lugares, mais difícil lhe é escrever sobre eles. “Quando se trata de escrever sobre Macau, sinto uma enorme dificuldade”, confessa.
A posição do escritor no mapa mundo e a maneira como isso afeta a sua escrita é decididamente influenciada pela sua história de vida. O cineasta e guionista australiano Tony Ayres disse que os seus filmes reflectem muitas vezes sua condição de chinês na Austrália. A geografia para ele é, antes de mais, um espaço interior.
“Podemos estar num hotel de Berlim e estar simultaneamente noutro lugar.” Esse é um dos grandes desafios do ser humano: estar verdadeiramente e absolutamente num único lugar, “, afirmou.
Macau é o local por excelência onde as identidades podem confundir-se e forçar os locais a questionar-se sobre aonde realmente pertencem. A cineasta local Harriet Wong é filha de típicos pais chineses com tradições chinesas, próximos do Budismo, mas ela estudou sempre em escolas católicas. Esta mistura faz com que acredite que o mundo ao seu redor, por si só, não define a sua identidade.
E Macau é uma boa personagem literária? Rui Cardoso Martins compara as áreas dos casinos a cenários do Star Wars. “Nós até temos um casino chamado Galaxy (galáxia)”, ironiza. “A sensação aqui em Macau substitui a experiência real”, disse Martins, referindo-se ao Venetian, um complexo que reproduz Veneza ou ao pastiche de um circo romano na área do Fisherman’s Wharf, um local com réplicas das fachadas de várias cidades do mundo.
“Mas talvez daqui a 400 anos as pessoas não consigam distinguir entre a réplica do circo romano e um real,” disse o moderador, o escritor brasileiro João Paulo Cuenca.
E se a ideia do “Macau plástico” como uma fonte de inspiração foi controversa entre os palestrantes, os que resta da antiga cidade apela a todos.”Há uma geografia de cheiros e panelas, que tem a ver com a gastronomia, que ainda persiste, e eu gosto dela,”resumiu Paulo Aido.
Em termos de apresentação de livros, o aclamado autor chinês e vencedor do “Man Asian Literary Prize” em 2009, Su Tong, falou acerca do seu livro “The Boat to Redemption”, sobre a experiência de crescer ao longo de uma década da Revolução Cultural.
A escritora taiwanesa, Jade Y. Chen, apresentou “Mazu’s Bodyguard”, uma história de Taiwan durante os últimos 100 anos.
Por último, o autor que mais livros vende em Portugal, José Rodrigues dos Santos, focou a sua intervenção num dos seus livros best-seller “, “A Fórmula de Deus”, que levanta a controversa questão: pode Deus ser explicado pela ciência?
O dia terminou com a exibição do filme premiado, “Home Song Stories”, uma obra semi-autobiográfica de Tony Ayres, com base na experiência da sua mãe na Austrália, interpretada pela atriz Joan Chen.
Esta quinta-feira o governo de Macau ofereceu um jantar no Clube Militar a todos os que participaram neste primeiro festival literário de Macau. O chefe de gabinete e porta voz do governo, Alexis Tam salientou a qualidade do trabalho feito por escritores, artistas plásticos, músicos e cineastas convidados para o I Festival Literário de Macau.
“São iniciativas como esta que mostram a mentalidade e o dinamismo cultural de Macau”, disse o chefe de gabinete do Chefe do Executivo, desejando que o evento volte a realizar-se no próximo ano.

Nuno Mendonça
Coordenador de Imprensa do Rota das Letras

February 2, 2012   No Comments

Programação das Correntes d’ Escritas 2012

Foi hoje divulgada a programação das Correntes d’ Escritas para este ano, assim como as sempre emblemáticas mesas temáticas que vão acolher os autores. Como habitualmente, os nomes atribuídos às sessões ajudam a lançar pistas e dão origem a diversas leituras. Todas as sessões decorrem no Auditório Municipal da Póvoa de Varzim, à execepção da última, no dia 28, que constitui a já habitual extensão em Lisboa, no Instituto Cervantes. A conferência de abertura será proferida por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto (dia 23, às 15h 00, também no Auditório Municipal)

“A Escrita é um risco total” (Eduardo Lourenço)
23 de Fevereiro, Quinta-feira, 17h00
Almeida Faria, Ana Paula Tavares, Eduardo Lourenço, Hélia Correia e Rubem Fonseca
Moderação: José Carlos de Vasconcelos

“O fim da arte superior é libertar” (Fernando Pessoa)
24 de Fevereiro, Sexta-feira, 10h30
Alberto S. Santos, Fernando Pinto do Amaral, José Jorge Letria, Luís Quintais, Sofia Marrecas Ferreira e Care Santos
Moderação: João Gobern

A Poesia é o resultado de uma perfeita economia das palavras
24 de Fevereiro, Sexta-feira, 15h00
Jaime Rocha, João Luís Barreto Guimarães, Manuel António Pina, Manuel Rui e Margarida Vale de Gato
Moderação: Ivo Machado

Toda a literatura é pura especulação
24 de Fevereiro, Sexta-feira, 17h30
Eduardo Sacheri, Inês Pedrosa, João Bouza da Costa, Manuel Jorge Marmelo, Pedro Rosa Mendes e Rosa Montero
Moderação: Bia Corrêa do Lago

A escrita é um investimento inesgotável no prazer
24 de Fevereiro, Sexta-feira, 22h00
Tema: Afonso Cruz, Ana Luísa Amaral, Júlio Magalhães, Manuel Moya, Rui Zink e Valter Hugo Mãe
Moderação: Henrique Cayatte

Da crise da escrita não se pode fugir
25 de Fevereiro, Sábado, 10h30
Carmo Neto, João Pedro Marques, Miguel Real, Sandro William Junqueira, Valeria Luiselli e Salgado Maranhão
Moderação: Onésimo Teotónio Almeida

“As ideias são fundos que nunca darão juros nas mãos do talento” – Antoine Rivarol
25 de Fevereiro, Sábado, 16h00
Eugénio Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Helena Vasconcelos, João de Melo, Luís Sepúlveda e Onésimo Teotónio Almeida
Moderação: Maria Flor Pedroso

Traços de crise enriquecem o texto literário
28 de Fevereiro, Terça-feira, 18h30 (Instituto Cervantes, Lisboa)
Afonso Cruz, Ana Paula Tavares, Care Santos, Manuel Moya e Valeria Luiselli
Moderação: Helena Vasconcelos

February 2, 2012   No Comments

Morreu a poeta e Nobel da Literatura Wislawa Szymborska

A poeta polaca Wislawa Szymborska, Nobel da Literatura de 1996, morreu esta Quarta-feira, aos 88 anos. Deixou uma obra que é uma reflexão filosófica e lúcida sobre o mundo, impregnada de humor e de um grande lirismo. Autora de uma vintena de colectâneas de poemas, marcados por uma reflexão filosófica sobre as questões morais da nossa época, escritos numa forma poética muito cuidada, Szymborska manteve-se afastada da vida política. Mas em Maio de 2007 juntou-se aos intelectuais polacos que acusaram a direita conservadora dos irmãos gémeos Lech e Jaroslaw Kaczynski (então Presidente da República e primeiro-ministro) de “não compreenderem” a democracia e “tentarem enfraquecer e renegar instituições de um Estado democrático como os tribunais independentes e as os media livres”. Para ler, no Público.

February 2, 2012   No Comments

Literatura remisturada – Kellerman Remixed, em e-book

Porque não aplicar à literatura o conceito musical de remistura, em que se entrega uma canção a alguém que se admira para que essa pessoa a recrie de acordo com o seu próprio conceito artístico? A pergunta é do escritor Paulo Kellerman e a resposta foi dada por doze escritores, dois músicos e um ilustrador: António Cova, António Martinho, David Teles Ferreira, Fernando José Rodrigues, Licínio Florêncio, Luís Mourão, Luísa Marques da Silva, Micael Sousa, Nélson Brites, Paulo Assim, Pedro Miguel, Sílvia Alves, Sílvio Silva, Simão Vieira e Wilson Gorj. Pegaram em estórias do autor e recriaram-nas. As versões e os textos originais encontram-se agora disponíveis no ebook (gratuito) Kellerman Remixed.

February 1, 2012   1 Comment

Biografia de Fernando Assis Pacheco lançada amanhã

Uma “Crónica Biográfica” de Fernando Assis Pacheco (1937-1995) que se debruça sobretudo sobre o lado luminoso do escritor e jornalista, como diz o autor, Nuno Costa Santos, será lançada na próxima quarta-feira ao fim da tarde no cinema Nimas, em Lisboa. Chama-se Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco esta biografia do poeta e cronista publicada pela Tinta-da-China, cujo título remete para o romance do autor “Trabalhos e Paixões de Benito Prada”, sobre os seus antepassados galegos, publicado em 1997 pela Asa e elogiado por Jorge Amado. Desenvolvimento no Correio da Manhã.

January 31, 2012   No Comments

Quetzal inicia publicação de Jorge Luis Borges

 

Dia 3 de Fevereiro a Quetzal inicia a publicação das obras de Jorge Luis Borges com a saída em simultâneo de dois livros: História da Eternidade e O Livro de Areia. História da Eternidade, de 1936, é um conjunto de ensaios sobre o tempo e a eternidade, enquanto O Livro de Areia, publicado em 1975, reúne diversos contos.

January 30, 2012   No Comments

Livraria Camões reabrirá ainda este semestre

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) e o Grupo Almedina (GA) assinaram um memorando de entendimento que possibilitará a reabertura, ainda no decurso do corrente semestre, da Livraria Camões, no Rio de Janeiro, cujo anunciado encerramento tem gerado grande controvérsia. Segundo informa o GA em comunicado, o espaço será disponibilizado pela INCM e explorado pelo GA. As duas entidades anunciam ainda «a intenção de estudar parcerias de âmbito editorial com vista à edição, promoção e comercialização no Brasil de ambos os catálogos».

January 30, 2012   No Comments